quem foi nunca mais se foi
Cecília me convidara a viajar. Algum país frio. Deveria levar blusa ou deveria comprá-las por lá? Talvez nos esquentássemos. Talvez. Fui convencido quando me disse que poderíamos caminhar por parques em domingos cinza. Era bonito imaginar. Gravei todos os discos que pude, mas não levei blusas. Cecília decidiu me dar a mão quando no meio de uma avenida aceitei seu convite. Parecia emocionada. Fazia doze dias que me conhecia e era a primeira vez que silenciava tanto. Ficamos assim de mãos dadas pensando nos domingos cinza. Cecília, em sua vida, costurava roupas. Cantava enquanto arrancava uma saia ou uma calça de um pano qualquer. Vestia seus vestidos. Gostava mesmo quando colocava a mão na cintura. Um charme. Dormimos juntos nos quatro primeiros dias que nos conhecemos e passei a sorrir um bocado. No quinto dia depois de Cecília em minha vida, decidi voltar pro mundo. Desci as escadas de sua casa e, na rua, olhando pra cima, vi as nuvens em formas de frango. E quando hora mais tarde che...