não se rema no mar
Havia enchido dezenas de bexigas enormes, que eram jogadas no chão no momento seguido ao nó que eu dava para prender o ar dentro delas. Elas desfilavam soltas e, uma entre elas saiu livremente pela porta, indo dançar ao vento por entre crianças, até fragilmente estourar. Me ocorre a ideia que o luto é o masculino de luta. O nocaute é duro mas Dylan e Kundera me socorrem e me arrancam as vísceras. Não há por que me render. O tempo é arrastado e os cigarros amargam a garganta. As delicadezas das pessoas por perto são como um pouco de sol em dias nublados. Quando não basta a razão para espiar a vida é preciso usar os sentidos; a intuição de perceber qualquer poesia e elegância pelo ar. Não posso dizer que há despedida. Basta fechar um pouco os olhos para espiar as melhores lembranças de anos irretocáveis. Sempre comigo. Sempre. O mar faz seu malabarismo com o pequeno barco cansado. O velho de barbas não há de ceder. Tudo é água ao redor e o sol espia por entre as nuvens a pequena...