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sobre temperaturas e impressões

Um copo de saquê. Uma conversa sobre bairros de uma mesma cidade, com galpões e vernissages que se distinguem. Me deram a chave do carro. Prefiro os vidros abertos, mas ligam o ar-condicionado. Entro numa avenida coberta de sol. Um sol que não condiz com o frio dos últimos meses, como um palavrão num discurso de padre. Começa a lei do fumo, mas ninguém fuma. Piadas. Não consigo rir. Mas fico feliz pela alegria do carro. Estaciono na sombra de um prédio e espio um casal que não combina, talvez busquem sexo. Mas é só um palpite, pura interpretação. A gente vai dando opinião sobre tudo e vai esquecendo que as coisas são reféns de como as olhamos. Serão mesmo? A noite não vai se adiantar e aparecer na janela com todo seu frescor. Primeiro terão as horas de sol e copos de água que tentam desabafar o abafado. Tudo se arrasta e apresso o tempo usando fones. A música latina aumenta o calor. Lembro da aula improvisada de salsa. Um, dois, três, cinco, seis, sete. O quatro é dito em silêncio e eq...